Mal de Montano

novembro 20, 2007

Copa de literatura brasileira: genial!

Filed under: outros males — maldemontano @ 1:04 pm

Boas idéias merecem divulgação. Por isso, o Mal de Montano vem deliberadamente “babar” pela iniciativa de Lucas Murtinho em promover os julgamentos e debates na Copa de LIteratura brasileira.

Confesso que virei a madrugada lendo as resenhas, os lances, as críticas, os maus-humores (?!) e as instigadas para se ler um ou outro.  Ainda dá tempo de torcer para a final. Divirtam-se e boa leitura!

Pandora Montana

Anúncios

novembro 19, 2007

O Mal indica: Numa Boa

Filed under: Mal do dia — maldemontano @ 3:02 pm

 O site da vovó Vicki, o Numa Boa, é fantástico! Numa linguagem simples, atraente, com mil curiosidades, incentiva leitura e o conhecimento sobre a Língua Portuguesa. Além de falar, também,  sobre critoptografia a paixão da autora da Aldeia.

 

Se é só para crianças e jovens? Não diria… Afinal, quem não gosta de ler se divertindo? Passe por lá, pois vale a pena!

Ler os clássicos ou os contemporâneos?

Filed under: Mal do dia — maldemontano @ 2:20 pm

10 motivos para ler livros atuais

Você já leu Machado de Assis? Racine? Shakespeare? Maupassant? E quanto a Zusak? Yalom? Seierstad? Pamuk?

Estes últimos fazem parte da mais nova geração de romancistas. Eles tem sim contribuído para uma certa diminuição na leitura dos clássicos, porém, há um motivo bem forte: eles são incríveis!

O Alessando Martins publicou em seu blog o post “10 motivos para ler livros clássicos“.

Eu concordo que há obras praticamente obrigatórias para os amantes da literatura, mas não dispenso, de forma alguma, as fantásticas produções escritas atualmente.

Então, como resposta (e não pensem que isso é um conflito, foi uma sugestão do próprio Alessandro), listei 10 motivos para ler livros atuais:

  1. Os livros retratam a sociedade em que são escritos. Se você lê um livro escrito hoje, você se sente engajado nos motivos que levaram o autor a escrevê-lo. Você adquire um maior conhecimento do mundo onde vive;
  2. Ajudam a melhorar sua qualidade de vida. Eu não falo de auto-ajuda, no sentido pejorativo da palavra. Livros como os e Allan e Barbara Pease (Por que os homens fazem sexo e as mulheres fazem amor? etc.), podem tornar um relacionamento a dois muito mais prazeiroso. Antigamente, não havia esse tipo de preocupação na literatura (não vou entrar na inevitável pergunta: O que é literatura?);
  3. Maior conhecimento do que vai ler, ainda antes de começar. Nunca houve tão boa classificação das obras. Se você quer um romance policial, algo sobre espiritismo, budismo, mitologia, história, psicologia, enfim. As próprias capas ajudam na identificação;
  4. Preocupação com a forma. Alguns podem achar um ponto falho (com o argumento de que o texto acaba se tornando artificial), mas os livros atuais são revisados e revisados e revisados. Assim, a obra chega ao leitor com a melhor qualidade possível;
  5. Valorização como um todo: o livro é uma produção universal. Antigamente, bastava escrever um texto no papel e sair distribuindo. Hoje, os trabalhos de publicação, revisão, editoração, criação da arte e os planos de divulgação fazem parte, diretamente, da produção literária;
  6. Você está atualizado. Ora, quem não precisa estar atualizado hoje em dia? É extremamente prazeiroso conversar sobre literatura com alguém, citando Pamuk, Brown, Yalom e outros;
  7. Você entende melhor o processo de evolução da literatura, da sociedade, da humanidade. Este item é para quem também lê os clássicos, e eu digo: leia os clássicos. Com a comparação entre as obras, entre os tempos em que foram escritas, fica mais fácil de entender muitos aspectos que levaram ao mundo em que vivemos hoje;
  8. Para acadêmicos: busque a intertextualidade. Novamente, comparando os livros clássicos com os atuais, você acaba encontrando aspectos semelhantes, situações em que as obras se relacionam. Em trabalhos acadêmicos, os olhos dos professores brilham ao ver esse tipo de comparação;
  9. Os best-sellers são clássicos. Ou será que os clássicos são best-sellers? Entenda que, aquilo que você está lendo hoje, vai continuar por gerações e gerações e poderá um dia se tornar “clássico”, no sentido em que conhecemos. Se você gosta de Shakespeare, Alighieri ou Sófocles que tal ser um dos primeiros a ler um clássico das gerações futuras? Quem não gostaria de ter lido Macbeth, ainda no séc. XVI?;
  10. Você aprende a pensar. Esta é quase uma crítica que eu tenho aos clássicos: eles lhe contam uma história, narram alguns conflitos e vão para o desfecho. Alguns livros atuais, como os de Orhan Pamuk, praticamente pedem a sua opinião o tempo todo. Você é convidado a participar da trama, discutir os acontecimentos, dar sua versão dos fatos, PENSAR SOBRE O QUE ACONTECE.

Destaco novamente: leia também os clássicos! Mas não deixe passar a oportunidade de ler as fantásticas obras que estão nas vitrines das livrarias. Vale a pena!

Fonte aqui

novembro 8, 2007

Livro: O Bispo – A história revelada de Edir Macedo

Filed under: Montanas,Resenhas — maldemontano @ 11:18 am

Primeira edição de 700 mil exemplares esgotada

É fácil julgar ao invejar

 

Domingo, dia de culto, dia de missa, dia de Faustão, eu estava passeando pelo Café com Letras e encontrei ‘O bispo’ em primeiro plano no balcão do caixa. Confesso que sempre tive preconceito relacionado à Universal, aos evangélicos, aos carolas, aos fanáticos religiosos de qualquer espécie. Aliás, fazendo a famosa mea-culpa: aversão a qualquer fanatismo que não fosse o meu.

Contudo, no caso Edir, eu não sabia a outra versão. Nos dias de hoje é muito fácil se formar uma opinião apenas por um lado da história. Vence a mídia que você mais acessa, mais participa, mais lhe atinge.

Quero dizer com isso que a interferência dos grandes meios de comunicação de massa (MCM) “pautam” nossas idéias, nossos pensamentos e até nossas atitudes (ou principalmente, o que é pior). TV, rádio, internet, jornais…

Porém, minha curiosidade é bem maior do que o meu preconceito e sempre será. Eu boto a cara e quero chafurdar na realidade vista diretamente pelos meus olhos. Comprei o livro (estava ansiosa pelo lançamento). Especular a vida do Edir Macedo, em sua biografia autorizada, foi um prazer. Nem tanto pela leitura, que, apesar da escrita fluente, da excelente diagramação e tipologia, peca por repetir demais. Eu li, eu gostei.

Levei um susto! Embora se tenha em mão um exemplar do “olhar do outro” (no caso o dos autores da obra) dá para se refazer conceitos. A notícias que todos temos, pela mídia “global” (imperial e católica de carteirinha) é que o bispo é, em resumo, charlatão e estelionatário.

Vejamos: qual igreja, religião, não é chartalã e estelionatária? Simples: aquela em que acreditamos! Para os ateus o ateísmo, para os budistas o budismo, para os católicos o catolicismo. Daí a César o que é de César…

Todas as cristãs, praticamente, prometem milagres, cura, um pedaço do céu, a salvação do inferno, realização de promessas etc. Todas pedem uma “oferta”, “oferenda”, “dízimo”, “contribuição” etc.

É o câmbio da salvação: pague e (um dia) terás!

Óbvio que há quem “pague” com dinheiro! A maioria decerto. Há quem pague com doações patrimoniais, alimentos, trabalho voluntário. Uma “ajudinha” daqui e outra dali.

Questionar os “pagamentos” feitos à igreja católica, por exemplo, não entra em cena. Por quê? Estamos acostumados! Simples assim.

Nossa cultura tem base católica e seus dogmas estão profundamente arraigados em nossas atitudes “cristãs”. Mas ela prega o sacrifício, o voto de pobreza, o celibato.

O catolicismo prega a miséria, eu diria.

Eu que fui batizada, fiz primeira comunhão e crisma, aprendi, em síntese, a me sentir culpada. Sentir culpa de transar. Sentir culpa de ganhar dinheiro. Sentir culpa de ambicionar conforto. Sentir culpa de viver com os prazeres “da carne e da grana”.

Lucrei frustrações e culpas que até hoje estão impregnadas no “automático” de minhas ações (claro que quando percebo mudo o rumo imediatamente). Ser “humilde”, dar a outra face e carregar a cruz me foi ensinado. Vida de “penitências”, de “pai-nosso” automático, de 230 aves-maria!

Sim. Nas outras também existem dogmas, submissões e blablabla. É por isso que jogar as pedras no Edir Macedo se torna um pouco ridículo. O papa é pobre? Come pão velho e água? Veste roupa de feira? Não, o papa é nobre! E o Edir é o papa da Universal.

Não, eu não me tornei evangélica. Continuo sem religião, entretanto não aprecio injustiças midiáticas advindas de visões rasas.

Acontece que os neo-evangélicos invadiram a praia e tomaram o terreno monopolizado da Igreja Católica. Isso sacudiu. Abalou. “Almas” foram “perdidas” para a concorrência. Lembremo-nos que estamos no capitalismo globalizado. Perder fiéis significa perder poder, que significa perder dinheiro, bens etc.

Acusam o Edir de atentar contra a “fé pública”. Nada diferente, na minha opinião, do que faz a publicidade de celulares e os noticiários da TV que miram a camêra e editam precisamente as imagens que “devemos” ver… Ah, e o Congresso Nacional, o Executivo, o Judiciário, os padres pedófilos, as freiras autoritárias, as religiosas que usam Gucci… de uma lista sem-fim não escapam às distorções.

A Folha On-line acusa o jornalista Douglas Tavolaro (autor do livro) de ser “parcial”, pois foi pago por seu patrão Edir para escrever…

Digam-me, então, sobre a mídia. Diariamente ela atenta contra o público ao selecionar as “matérias” que vão ao ar e mais, todos jornalistas são pagos por seus patrões para escrever e por isso parciais, não é mesmo? Ou neste caso há dois pesos e duas medidas? (adoro usar clichês em assuntos clichês).

Voltando ao livro “O Bispo”. A obra mostra o que pensa Edir. Sim, o que Edir quer mostrar sobre ele. Sim, o que Edir assume como sendo “ele”. Sabe, vi um Edir sincero. Autêntico. Posso dar meu testemunho: ele prega e dá exemplo! Ele quebra o paradigma da massa pobre, coitada, carente, sem eira, sem auto-estima, penitente, dócil.

Edir sacode a massa e chama, clama, à ação!

Ontem fui em um culto evangélico, como o São Tomé – ver pra crer -, percebi que o que lá acontece é uma verdadeira terapia popular e o dízimo é o seu pagamento. Fundadores de terapias, de religiões, de seitas é que ditam as regras, né! Muitas vezes o que se muda é apenas o nome das coisas, vamos usando sinônimos e criando palavras novas. Roupagem diferente para antigas ações.

Lembrando de outros métodos, quem conhece a psicanálise sabe o quanto é importante o investimento do paciente em sua cura e isso, necessariamente, passa pelo metal. Em psicanálise o dinheiro (o valor da consulta paga ao psicanalista) faz parte da terapia. Se investe tempo e grana!

Se temos, hoje, consultas terapêuticas custando em média R$ 120,00 (por uma hora), em se tratando de dízimo equivaleria a um salário mensal de R$ 4.800,00. Então, quem ganha um salário mínimo poderia pagar cerca de R$ 40,00. Essa é a conta! Um “culto-terapêutico” fica na ordem de R$ 10,00 para quem ganha R$ 400,00. E, ainda, com direito a duas horas e meia de tempo, com direito a música (lembram do couvert de bar? mínimo R$ 3,00 por pessoa), interação grupal… E, mais, elevação da auto-estima pela fé! “Tudo pode quem nele crê”.

Eu li num comentário que: “crente” é quem “crê” mas não se diz em “quê”.

Crer é crer e dar o dízimo é crer e dar a oferta é crer. Jogar flores e champanhe para Iemanjá é crer (e poluir o meio-ambiente). Comer hóstia é crer. Rezar terço é crer. Ser voluntário (mão-de-obra grátis) é crer. Fazemos o que acreditamos que irá ajudar em nossa crença. Ler Saramago é crer. Ler boa literatura é crer nas possibilidades da arte e do intelecto.

Crer é crer. Dar crédito.

Edir Macedo crê no que diz. Seus fiéis também. O problema dele é ser claro. Ele é a favor do aborto e diz que é. Ele apóia o uso de camisinha, o controle da natalidade, o conforto, a riqueza material e espiritual. Ele é contra um monte de coisas também. Quem não é…

Os templos da Universal são requintados, confortáveis, suntuosos. O dinheiro dos fiéis é reinvestido em cadeiras macias, em piso nobre, em ar-condicionado, em pagamento de “salários”. Algums padre trabalha de graça? Algum profissional quer trabalhar de graça?

Edir mostra que o que é bom, é bom, e deve ser para todos e não para poucos. Todavia não é parado que se conquista! Edir é movimento. É modelo.

Por fim, prefiro um Edir Macedo que conscientiza milhões de pessoas da “massa” (que deixam de ver TV apenas) para por a mão na massa e mudar de atitude. Ele prega que não se tenha filhos, pois o mundo já está lotado. Ele prega a adoção. Ele prega o não uso de drogas. Ele prega a união da família. Ele prega valores cristãos e capitalistas.

Ele é atual e prega para uma sociedade atual.

E, no final, como qualquer profissional, como qualquer terapeuta, ele ganha por isso. É injusto?

Por Solange Pereira Pinto

————

A guerra da TV Globo Católica com a TV Record Evangélica está no começo. Talvez, a sociedade se equilibre mais.

Se a TV Record foi comprada com dinheiro “ilegal”, a TV Globo também e outras tantas mídias, rádios, afiliadas bláblábla…

Literatura e filosofia – minicurso

Filed under: Mal do dia — maldemontano @ 11:07 am

filosofia-e-literatura.jpg

Blog no WordPress.com.