Mal de Montano

agosto 21, 2007

Os três desafios de um livro

Filed under: Aqui o mal geral,Mal do dia — maldemontano @ 1:54 am

por Marco Polo Henriques

De forma didática, pode-se dizer que um livro possui três desafios:
1. Ser adquirido;
2. Ser lido;
3. Ser indicado.

O PRIMEIRO DESAFIO

A responsabilidade pela superação do primeiro desafio compete em sua maior parte às editoras e seu planejamento comercial. Além da premissa básica de que a venda de um produto só acontece a partir da sua presença maciça nos pontos de venda (distribuição), no Brasil a experiência comprova a influência da capa e do título da obra na determinação do impulso da compra.

Assim, cabe aos profissionais de marketing, com base no conhecimento profundo da obra/produto e o auxílio do autor, a elaboração da “embalagem” mais competitiva e, conseqüentemente, mais eficaz.

O SEGUNDO DESAFIO

Já o desafio da leitura é de responsabilidade do autor, com a assessoria dos profissionais da área editorial.

Os atributos necessários dividem-se em técnicos e conceituais. Qualidades como fluência, linguagem, estrutura dos capítulos, revisão ortográfica e diagramação fazem parte dos atributos técnicos que um livro precisa ter para proporcionar uma leitura agradável.

Já os atributos conceituais são aqueles relativos à concepção da obra e constituem o que se pode chamar de “ânima do texto”, o “algo a mais”, o “plus” que faz um determinado livro ser único em meio a tantos outros.

Este “algo a mais” é determinado por fatores como grau de ineditismo da idéia apresentada pelo livro, estilo pessoal do autor, empatia com o leitor, definição prévia do público-alvo e de seu “universo” de preferências, dosagem exata de elementos lógico-reflexivos (conceituação, coerência factual, verossimilhança) e intuitivo-sintéticos (drama, comédia, apelo emocional).

O TERCEIRO DESAFIO

O terceiro e último desafio talvez seja o mais difícil de alcançar, pois envolve critérios absolutamente subjetivos. Um final apoteótico pode ser a chave para que o conteúdo de um título jamais se esgote. Não é possível especificar uma única fórmula que garanta a iniciativa do leitor de referendar a obra, uma vez que existem diferenças estruturais entre as diversas linhas editoriais.

Não se pode comparar, por exemplo, um romance épico a um livro de auto-ajuda. Contudo, uma análise aprofundada do texto permite a identificação de indicadores precisos do grau de potencialidade de um livro em relação à sua vida útil.

Aspectos relacionados ao efeito identificação, provocado pela mensagem de um texto sobre o leitor são os principais indicadores. Quanto mais “sentido” as palavras produzem no universo de crenças e valores do leitor, maior será o seu impacto e, por conseguinte, a sua repercussão junto à comunidade (efeito identificação). Ferramentas fornecidas pela chamada Análise do Discurso têm uma aplicação bastante eficaz neste caso.

De maneira genérica, é possível aferir que a presença do herói, de suas aventuras e desventuras, seja ele materializado por um personagem real ou fictício, seja uma idéia ou uma bandeira conceitual a ser defendida, é um dos mais poderosos agentes produtores do efeito identificação.

Assim como a chamada primeira venda (colocação nas livrarias e demais pontos de venda) é de responsabilidade total da editora, um título só alcança a segunda edição se efetivamente obtiver o “aval” do leitor como sendo um produto comprável e, por isso mesmo, passível de ser lido e recomendado a outro leitor em potencial.

Essa cadeia de leitores que se forma a partir da leitura de um livro corresponde ao processo chamado de “boca-a-boca”, feito pelos próprios leitores a respeito de um determinado livro.

ALGUNS NÚMEROS DO MERCADO EDITORIAL

A produção de livros no mercado editorial brasileiro vem apresentando sinais de turbulência. O total de 140.000 títulos existentes tem se mantido estável nos últimos anos, o que indica um princípio de estagnação. Para cada novo título lançado, dois são reimpressos. Em números absolutos, as estatísticas apontam uma produção de 15.000 novos títulos/ano e 30.000 reimpressos/ano.

Aproximadamente 20% dos catálogos das editoras são de livros esgotados e não reimpressos (ciclo de vida breve, tema desinteressante etc.), sendo que 80% das editoras de pequeno e médio porte levam 12 meses para esgotar a tiragem de 2.000 exemplares de um título.

Em contrapartida, a produção literária informal ou de pessoas físicas tem crescido sensivelmente. A cada dia, as editoras recebem dezenas de originais para análise e uma possível publicação. Entretanto, assim como a produção de títulos no mercado editorial extrapola em muito o espaço físico existente nas livrarias, as editoras não dispõem de tempo e pessoal especializado para atender ao número excessivo de originais recebidos.

O QUE É CONSULTORIA EDITORIAL

O mercado editorial assemelha-se a um estreito funil, no qual a possibilidade de conseguir um parecer favorável de publicação, sem possuir um nome já consagrado ou uma indicação prévia, é bastante remota. O mesmo acontece na hora de conseguir um bom espaço de exposição nas gôndolas das livrarias.

O serviço de consultoria editorial para autores visa justamente otimizar ao máximo o potencial literário e mercadológico de um determinado texto. É importante enfatizar que a efetiva decisão de publicação de um título compete única e exclusivamente à direção das editoras e não ao consultor editorial, embora este possua acesso direto a diversos dirigentes de editoras.

O objetivo principal da consultoria é transformar textos em livros de verdade, deixando o material pronto para a publicação, a qual poderá acontecer ou não, de acordo com os critérios editoriais e mercadológicos das editoras.

O MAIOR VALOR AGREGADO DA CONSULTORIA

O maior valor agregado pelo serviço de consultoria está além da análise técnica do texto. Por conta da vivência e dos conhecimentos adquiridos no mercado editorial, o consultor tem condições de fazer um estudo comparativo entre o perfil do autor e do projeto e o perfil da editora, tendo assim condições reais de viabilizar uma feliz parceria.

A relação editora/autor apresenta sutilezas que precisam ser levadas em conta, pois são decisivas para o sucesso desta parceria. Por exemplo, um autor que valoriza muito mais a repercussão junto à mídia em detrimento do atendimento personalizado ou especial da equipe de profissionais necessita de uma editora com uma política comercial mais agressiva, independente da sua política de RH.

Uma editora cujo foco é a publicação de best-sellers, por sua vez, dará uma atenção especial a títulos com maior apelo comercial e público-alvo o mais amplo possível.

COMO É REALIZADO O TRABALHO DA CONSULTORIA

A consultoria editorial para autores e empresas (pessoas físicas e jurídicas) é feita por um grupo de profissionais especializados nas várias etapas do processo editorial.

Está dividida em duas categorias, nas quais o título será “adequado” pelos consultores com base no perfil do projeto e nas necessidades do cliente:

CATEGORIA A: Orientação/Edições Independentes

Os títulos classificados na categoria A recebem uma orientação que pode ser considerada como um plano estratégico, baseado em informações objetivas e realísticas que estabelecem diretrizes para o melhor desempenho de um determinado título.

O trabalho divide-se em 5 fases:

1. Na hipótese do autor buscar apenas a análise do texto, a orientação inclui:

– Leitura crítica;
– Reformulação ou proposição de um novo roteiro;
– Debate de idéias e objetivos;
– Apresentação de um brainstorming de títulos;
– Leitura final.

2. Já o consultor especializado em artes gráficas faz um estudo do texto apresentado e, a partir de uma entrevista com o autor, apresenta um boneco (projeto gráfico) do livro, bem como três opções de capa, os quais serão aprovados e/ou modificados pelo autor. Caso seja do interesse do autor, o consultor pode providenciar a produção dos fotolitos para a impressão, cujas despesas serão incluídas no trabalho de consultoria editorial.

3. A impressão gráfica da obra apresentada pelo autor pode ser feita por meio do processo tradicional (rotativa), para tiragens acima de 1.500 exemplares, ou nas máquinas especializadas em impressão sob demanda, para tiragens menores.

4. O trabalho de divulgação e assessoria de imprensa é feito por meio de um mailing atualizado de jornalistas, colunistas e dos principais veículos de comunicação (mídia dirigida, de massa e canais alternativos) em todo o Brasil. Caso seja do interesse do autor, o consultor também está apto a desenvolver estratégias específicas para o lançamento da obra.

5. Quando houver interesse por parte do autor na comercialização da obra, será elaborado um plano de marketing específico para a otimização do seu potencial comercial. O plano inclui:

– Estudo das características do produto/livro (pontos fortes e fracos;
– Estudo de ameaças e oportunidades;
– Estudo de situações favoráveis e desfavoráveis);
– Definição de público-alvo;
– Estratégias de divulgação e promoção (pontos de venda).

CATEGORIA B: Orientação + Encaminhamento/Editoras de Renome

Inicialmente, os títulos classificados na categoria B recebem a orientação especificada no item 1 da categoria A. Também será elaborada uma relação de editoras adequadas ao perfil do autor e do projeto para uma possível publicação. Neste caso, o texto será entregue nas mãos do editor pelo consultor com uma carta de apresentação.

Como já foi explicado antes, a efetiva decisão de publicação de um título compete única e exclusivamente à direção das editoras e não ao consultor editorial, embora este possua acesso direto a diversos dirigentes de editoras.

Uma das práticas mais eficazes para viabilizar a produção editorial de um livro é a política de patrocínio, com verba fornecida por empresas indicadas pelo autor ou contatadas a partir de um esforço conjunto entre o autor, a editora e o consultor editorial.

É importante salientar que os serviços de consultoria especificados podem ser solicitados isoladamente ou integrar um mesmo “pacote de consultoria”, variando conforme as necessidades do cliente.

Fonte Consultores

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