Mal de Montano

março 24, 2007

Lançamento em Brasília

Filed under: Mal do dia — maldemontano @ 11:54 pm

O escritor Manoel Rodrigues lança na próxima quarta-feira, no Café com Letras (203 sul, Brasília/DF)  seu livro de poesias “Axis Mundi”, a partir das 19h.
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“Axis mundi reúne micropoemas, criados por Manoel Rodrigues a partir de 2001. Neles se encontram densa filosofia,auto-ironia, leveza e gravidade. O estilo lembra Leminsky, com a diferença de quetem um gosto maiorpela intertextualidade, pelas formas populares e pelo diálogo com o sagrado, perceptível no próprio título,eixodomundo,coluna que sustenta o mundo e o comunica ao céu e inferno”…

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março 13, 2007

Nos bastidores da literatura homo…

Filed under: Mal do dia — maldemontano @ 5:52 pm

  CÁ ENTRE NÓS

“Putz-grila! Juro que não vou dar uma de biba traída. Mas não posso deixar de responder às mensagens que recebi. Tipo: “quem teve a idéia primeiro?”. Ou: “sabia que Luiz Ruffato está lançando uma antologia homossexual?”. Explico: faz um bom tempo que eu e Santiago Nazarian assinamos contrato e estamos organizando, para a Record, uma igual antologia, digamos, GLBTT. Vários autores (novos e clássicos) em textos temáticos. Demoramos, de fato. Envolvidos que estávamos em outros projetos, além de Contos Negreiros e Mastigando Humanos. O nosso volume será lançado, ave, em outubro deste ano. Repito: não quero, aqui, subir no salto. E nos tamancos. Sei que idéia assim não tem dono. Não é inédita nem exclusiva. As obras serão diferentes. A gente entende. Mas ressalta: a nossa empreitada foi amplamente divulgada. Em várias entrevistas minhas e do Santiago (em revistas, internet, jornais e TV). E ao vivo. Mas não precisa escândalo. O resto sai na purpurina, sempre digo. “Quanta mais serpentina, melhor”, já cantou o Gil. O livro do Ruffato (do qual ele me falou, meio que por acaso, só em novembro passado) chama-se Entre Nós e será lançado nesta quarta, pela Língua Geral, no Rio”.
Fonte: blog do Marcelino

março 5, 2007

Resenha – O paraíso na outra esquina – Llosa

Filed under: Resenhas — maldemontano @ 11:35 pm

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O sonhador pragmático

 

Em O Paraíso na Outra Esquina, Mario Vargas Llosa volta a prestar homenagens aos idealistas que rejeita na vida real

 

Por José Castello

  

O peruano Mario Vargas Llosa sempre defendeu uma cisão profunda entre a literatura, domínio do arbítrio e da mentira, e a vida, regida pelo bom senso e pelo realismo. “No campo político, é preciso sempre manter a lucidez, mesmo que isso pareça loucura”, disse ele certa vez. “Já no campo literário, atuam livremente a loucura, os fantasmas, os mitos.” Aplicando essa fórmula à sua própria vida, Llosa sempre se declarou um inimigo das utopias, como a comunista, e defendeu, em contrapartida, o liberalismo e o pragmatismo na política. Foi com esse ponto de vista que, em 1990, chegou a se candidatar à Presidência da República do Peru, e quase venceu, terminando derrotado por Alberto Fujimori — fato surpreendente que talvez demonstre que, na verdade, a realidade é muito mais complexa e sinuosa do que Llosa supunha.  

Mas, quando escreve seus romances, Llosa é um admirador entusiasmado de personagens desviantes, rebeldes e marginais. Tido por muitos como seu melhor romance, Conversa na Catedral (1969) narra um longo diálogo entre dois personagens melancólicos, Santiago Zavalita e Ambrosio, num botequim de quinta categoria dos subúrbios de Lima. Um de seus romances mais elogiados, A Guerra do Fim do Mundo, tem como personagem central o rebelde Antônio Conselheiro e sua aventura
em Canudos. Com O Paraíso na Outra Esquina, Llosa se dedica, mais uma vez, a trabalhar com personagens movidos pela revolta e pela utopia. O título do romance, um tanto irônico, não macula o fascínio que ele demonstra por Flora Tristán e Paul Gauguin, os dois protagonistas do livro.
 

Na epígrafe do romance, tomada de empréstimo do poeta e crítico francês Paul Valéry, o escritor peruano já denuncia o sentimento que o move: “Que seria, pois, de nós, sem a ajuda do que não existe?” Esse inexistente, que sua literatura tem como objeto apaixonado, é justamente o que Llosa repudia na vida real — e, por causa de seu pragmatismo, ele sempre foi um admirador de Margaret Thatcher e um inimigo de Fidel Castro, chegou a sugerir ao presidente Lula que se espelhe no premiê britânico Tony Blair, e não no presidente venezuelano Hugo Chávez, e, sempre que tem uma chance, defende a eficácia do realismo contra as utopias. “As utopias podem levar ao inferno, como aconteceu no nazismo”, afirma. 

Contudo, a feminista Flora Tristán e seu neto, o pintor Paul Gauguin, foram, cada um a seu modo, personagens históricos geridos, justamente, pelo desejo de mudança radical. Sem conseguir livrar-se inteiramente de seu estilo realista, Llosa começou a escrever seu romance, como de costume, debruçando-se sobre uma ampla pesquisa histórica, sobre a qual se permitiu depois, como sempre também, exercitar muitíssimas liberdades. O Paraíso na Outra Esquina retrata, justamente, a luta de Flora e de Gauguin para se desvencilharem de suas vidas rotineiras e deploráveis e de seu empenho em alcançar, em vida, algo parecido com o paraíso. O livro os apanha, contudo, já no fim de suas vidas, Flora abatida pelos sofrimentos que a realidade lhe impôs, Gauguin atormentado pelos sintomas brutais da sífilis. Como se Llosa quisesse dizer ao leitor que a utopia, apesar da beleza que descortina, é incapaz de excluir a dor.  

Em seu famoso ensaio Cartas a um Jovem Novelista, de 1997, Llosa já descrevia, com frieza, seu método literário: “A ficção é uma mentira que encobre uma profunda verdade: ela é a vida que não foi, a que os homens e mulheres de uma época quiseram ter e não tiveram e por isso tiveram que inventá-la”. Llosa argumenta, então, que a rebeldia dos escritores “é muito relativa”, já que grande parte deles, em sua vida pública, não se considera, em absoluto, um “dinamitador secreto”. Ele está, sem dúvida, falando também de si. Para Llosa, a matéria da literatura é uma forte intranqüilidade diante do mundo real — mas isso não significa dizer que os escritores sejam sujeitos intranqüilos e rebeldes; ao contrário, indica apenas que é na literatura que eles vêm desafogar aquilo que, de fato, não chegam a ser, ou não se permitem ser.  

Agora, ao se entregar à vida de Flora Tristán e de Paul Gauguin, Llosa leva essa tese ao limite. Para Flora Tristán, nascida na França em 1803, o paraíso estaria numa sociedade em que as mulheres não se sentissem diminuídas, ou manipuladas. Filha de um coronel nascido em Arequipa, Peru — a mesma cidade
em que Llosa nasceu —, Flora começou a trabalhar como operária numa tipografia. Casou-se, separou-se, foi perseguida pelo marido (que tentou matá-la) e precisou se refugiar na Inglaterra, até viajar ao Peru, em 1835, disposta a reclamar uma herança que nunca conseguiria receber. Leitora apaixonada de Saint-Simon, Fourier e Robert Owen, tornou-se não só escritora, mas uma ativista revolucionária, passando a lutar contra o obscurantismo, a escravidão, a pena de morte e, sobretudo, a favor da emancipação feminina. Há quem afirme que Flora Tristán inventou a classe operária antes de Marx, o que não está longe da verdade. Seus mais famosos ensaios foram publicados na década de 1840, pouco antes de sua morte, em 44. Foi ela quem lançou a idéia de uma União Universal de Operários e Operárias, espécie de rascunho da 1ª Internacional Comunista.
 

Seu neto, Paul Gauguin, filho de sua filha Aline, foi também, como a avó, um eterno descontente com a realidade que lhe coube viver. E também com as regras, tanto as acadêmicas como as impressionistas que vigoravam na pintura de seu tempo. Como a avó Flora, ele foi um rebelde, sempre atraído pelo desejo de aventura, sempre insatisfeito com os fatos que a vida lhe oferecia. Já aos 17 anos, tornou-se cadete da Marinha e, a bordo do Luzitane, chegou a visitar o Brasil, estando em Salvador e no Rio. Sua amizade com o pintor francês Camille Pissarro, nascido nas Antilhas, o arrastou de vez para a pintura. Mais tarde, também foi grande amigo, numa relação conturbada, de Van Gogh, com quem chegou a morar, em Arles, na França. No início de sua carreira, sofreu duras críticas, vindas de nomes como Renoir e Monet. Depois de uma temporada na Dinamarca, em 1887, decidiu mudar-se para a América Central, em busca de uma vida antiburguesa e tipicamente selvagem, mas a aventura não chegou a durar um ano. Em 1891, sempre em busca da utopia primitiva, partiu novamente, dessa vez rumo ao Taiti. Morreu na miséria, em 1903, e deixou seu sonho por completar. E não se pode dizer, no entanto, que tenha sido um sonho fracassado, na medida em que ele se perpetuou em suas telas.  

Mas, admite Mario Vargas Llosa no mesmo ensaio já citado, “o romancista que não escreve sobre aquilo que em seu íntimo o estimula e mobiliza não é autêntico e o mais provável é que seja também mau novelista”. No entanto, esse predomínio do desejo pessoal deve estar necessariamente associado, e até submetido, Llosa entende, a um “fator realista”. A literatura toma o real para vesti-lo com suas fantasias; como indivíduo, porém, o escritor, ao contrário, o agarra para despi-lo de suas ilusões. E assim autor e personagens se distinguem e se completam. A fórmula cindida de Llosa o transformou num escritor que, se milita como um pragmático, escreve como um sonhador. Ele parte sempre de personagens históricos não para retratá-los, mas para neles fisgar aquela centelha de insatisfação e até de delírio que os tornou especiais. Como somos feitos não só de fatos, mas também de sonhos, Llosa termina por ser muito mais preciso e abrangente que os historiadores. E esse é o ponto em que sua literatura se engrandece: ela desvela o real para cavar, sob ele, o magma da imaginação. E, assim, celebrar a força das palavras pois, como ele já disse, quando se trata de histórias, “são as palavras que as contam”.  

Fonte Bravo on-line

 

 

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