Mal de Montano

outubro 23, 2006

Circo de Horrores

Filed under: Aqui o mal geral,Outros Escritos — maldemontano @ 3:41 pm

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 Baga III

Por Perséfone Montana

  

Assisti, há algum tempo, um episódio do “Sex and the City”, intitulado “Circo de Horrores”, em que a personagem Carrie, após o término de um namoro, volta às baladas e encontra tipos, os mais variados, o cara bem de vida que roubava revistas baratas, o “Incrível homem de duas caras”, que a tratava com a maior delicadeza, quase ao mesmo tempo em que berrava para o homem atrás na fila e muitos outros.

  

 

Numa versão tupiniquim do famoso seriado, eu e Pandora temos passado por poucas e boas. 

 

Lembro do dia em que encarnamos o papel das “Irmãs Caridade”. Eu, para ficar com um francês. Ela, com o mais tarde apelidado Zé Goteira. Pois bem, não estávamos lá com muita vontade, mas também não custava. O francês, depois de alguns carinhos tímidos disse que precisava ir ao banheiro. Velho truque, não me dei conta. Para ser sincera, só percebi que não tinha voltado quando recebi a seguinte mensagem no celular: “Desculpe, mais tem meu ex-amorada. Estou na QL.. Conj… Casa… (faltou o CEP, pensei). Gostei molto de você.” Ok, querido, também gostei de você. Não “molto”, é verdade, mas ainda assim. Quando se pensa que se está se fazendo um favor… Pandora, por sua vez, depois de muita insistência, resolveu ceder aos apelos do Zé Goteira, homem difícil de descrever. Disse ele, a princípio, estar separado há dois meses, não queria sair nas fotos que tirávamos etc. Minutos depois, não conseguíamos fotografar mais ninguém, ele metido na frente da câmera. Eu achando que Pandora tinha ido longe demais na solidariedade, o cara ficaria agradecido para o resto da vida, ele vira para o amigo: “Vaza, vaza!” E saem os dois sem se despedir. Inacreditável. Nesse mesmo dia, conhecemos Débi e Lóide, mas nem vale a pena entrar
em detalhes. Foi também nesse dia que, a caminho do carro, ouvimos: “Cabelo de minhoca, cabelo de minhoca!”. Pandora deu um pulo: – É com a gente, é com a gente? – Ai, meu Deus, só faltava essa, Pandora vai engrossar!, pensei. –Ai, adorei! E me fez voltar para elogiar a originalidade dos rapazes. Pandora é surpreendente.
 

 

Costumo brincar com minha irmã: “Não sei como, mas todos os loucos tiveram acesso à informação de que eu ia sair, e saíram atrás.” O mesmo vale para Pandora. Situações, às vezes, inclusive, perigosas, como a do menino que encontramos já não lembro em que bar e a quem demos carona, que carregava uma misteriosa mochila, da qual não desgrudava um só instante. Por mais que insistíssimos não nos revelou o conteúdo. E aquele outro, que um dia tomou a chave do carro de Pandora e só a devolveu quando ela prometeu ser dele para sempre. Pobre amiga, até vomitou de tanto medo; no fim das contas ele só precisava ouvir o que ela acabou falando, mas foi demorado descobrir a senha. 

 

Agora, coisa curiosa tem sido a sugestão recorrente de sexo a três. Submersa no Reino dos Mortos, devo ter perdido o momento em que convite desse gênero se tornou corriqueiro. Quando foi, alguém me informa? Que menagé faz parte do imaginário masculino (também do feminino, muitas vezes) é público e notório, mas tudo bem sair por aí abordando as pessoas, sem a menor cerimônia? A propostas têm vindo de todos os cantos, veladas ou escancaradas. Desde o intelectual gaúcho, que após breve citação de autores sulistas, arrisca: “E se fossêmos nós três para o meu hotel, assisti o DVD do Vinicíus?”, até o velho conhecido, por quem fui apaixonada, que confessou abertamente querer ir para cama comigo de novo, mas dessa vez,  levando Pandora junto. 

 

Felizmente, de vez em quando, aparece alguém interessante. Assim, o Gato de Alice, alcunha carinhosa que ganhou de Pandora, por dançar sempre sorrindo. Gato de Alice foi capaz de segurar meu cabelo quando passei mal em frente ao Vem cá minha Puta. E mais: não se importou que eu dormisse em cima da mesa; ao contrário, ajeitou o braço, para que me acomodasse melhor. Eu tirando uma soneca, ele conversou sobre astros e estrelas com Pandora, enquanto ao lado, o amigo/amante dela comia, qual primata, pedaços enormes de algo que não conseguimos identificar. Batatas, talvez. 

 

Bem, quando se chega ao fundo da bagaceira, é preciso tato para voltar à tona. Mas será que conseguiremos ir para casa, depois dos encontros do Mal, com a excitação dos projetos e das cervejas na cabeça? A Literatura é possível sem vivência? A se pensar. 

 

Enquanto isso, talvez seja o caso de aceitar o conselho de Psique e passar um tempo num povoado, próximo a Marabá. Mergulharemos nos livros, nossas filhas crescerão cercadas pela natureza e só conviveremos com pessoas normais, se é que isso existe. 

 

Psique diz que amanhã manda o mapa do lugar.

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2 Comentários »

  1. Adorei! Acho que já conhecia algumas dessas histórias. Lendo este post entendi porque não mais encontrava seus textos neste blog. Não sabia dos personagens, mas agora idnetifiquei todos eles.
    Vamos almoçar este findi novamente pra colocar em dia as traquinagens que vocês andam aprontando pelas noites do cerrado?
    Beijão

    Comentário por Ual — outubro 26, 2006 @ 3:44 pm | Responder

  2. moçada, que beleza! essa muito laminha termina que vale a pena. já tive cada uma… triste é saber que os peças estão cada vez mais raras e, será? não melhoraram nadinha desde minha última turnê. mas não desistam que ainda é cedo. coragem!

    Comentário por Suzali — dezembro 23, 2006 @ 9:14 pm | Responder


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