Mal de Montano

outubro 3, 2006

O tempo não pára, a doença não sara…

Filed under: Aqui o mal geral,Mal do dia,Outros Escritos — maldemontano @ 1:34 am

   Por Pandora Montana 

Estou muito inquieta, quase adoidada. Minha caixa está cheia, mas tudo tão revirado e revisitado que resolvi abrir outra. Hoje escancarei a caixa do google. Simmmm! Fui fazer buscas no grande-mar-virtual-de-palavras-e-imagens-e-sons-e-doidices-crendices-verdades procurando pelo Montano.  

Vocês sabem quem é Montano, né? É um velho conhecido meu e de muita gente que bloga, e lê, e escreve, e pensa, e fala, e sente, e chora, e é viciado em gente, em livro, em literatura, em qualquer coisa que nos tire dessa realidade sangrenta que corta as veias rotineiramente longe do encanto dos textos bem-escritos. Sim, pessoas que sofrem do mesmo mal. O Mal de Montano.   

Foi tão curioso abrir a caixa… Queria ver os blogs do “mal”. Encontrei 655 ocorrências! Salve desse mar quem já afogou! Não teria uma chance de ressurreição? Gente, tem muitaaa coisa. Alguns ainda ancorados, outros à deriva. Nem todos com bússolas precisas, mas navegando! Vou mostrar uns retalhinhos, tá bom?    

Das visitas às naus que fiz alguns trechos pesquei aleatoriamente:  

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November 28, 2004

Trash

“Desgosta-me ver O Mal de Montano entre todos aqueles livros, tão sozinho, tão desprotegido”. (Blog a Natureza do Mal  )

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Quinta-feira, Julho 14, 2005

Confissões de um Escritor Famoso (cont. do desafio)

“Queria ver-me livre daquilo que estava aqui dentro, algures entre a memória e uma visão do futuro, mas que não saía. Que teimava em não sair. Há meses demais que não se transformava em palavras no papel. E as expectativas deixaram de o ser e já se tinham transformado em desilusões. escrever para o jornal, e ele em particular, tornara-se, entretanto, a minha única ajuda, depois desta íntima e comprovadamente arriscada decisão de viver exclusivamente do que escrevo. Arriscada. Não saiu mais nada desde o último livro. Um sucesso que ofuscou, quase novela ele próprio. Um mal de Montano inultrapassável e tantas vezes repetido na literatura. Um mal do vazio da página em branco que me fez transpirar e tremer com a caneta indecisa entre os dedos, e ele, depois dela ter partido, e com ela outras colaborações em revistas, era o último garante desta esperança do regresso da palavra. Não sei de alguma vez acreditou verdadeiramente que fosse possível recuperar deste mal. Acho que nunca acreditou. Ajudou-me por pena, só por pena. Pena. Do mal que me afligia. De Montano. Até esse se ultrapassou. – E então? Tive uma sensação de vertigem, como se as palavras presas se tivessem que soltar imediatamente. A pergunta foi brusca e desamparada demais para poder resistir a uma reacção mais intempestiva, que não era merecida. Tinha decidido manter a frieza. A distância possível para evitar a. e não queria transformar tudo em. (Não hoje. Não depois de tudo!)” . (Blog George Cassiel ) 

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Agosto 25, 2006

Festas, muitas festas!

Não gosto nada de pessoas contentinhas. Se dependesse delas, a literatura já tinha desaparecido da face da terra. No entanto, as pessoas «normais» são muito apreciadas em todo o lado. Todos os assassinos são, para os seu vizinhos, tal como se vê sempre na televisão, pessoas satisfeitas e normais. As pessoas normais são cúmplices do mal de Montano da literatura. Pensei nisso hoje ao meio-dia, no táxi do Pico, enquanto me lembrava de uma frase que Zelda costumava dizer ao marido, Scott Fitzgerald: «Ninguém mais do que nós tem o direito de viver, e eles, os filho-da-puta, estão a destruir o nosso mundo.» Odeio esta grande parte da humanidade «normal» que dia a dia destrói o meu mundo. Odeio as pessoas que são de uma grande bondade porque ninguém lhes deu a oportunidade de saber o que é o mal e poderem então escolher livremente o bem; pareceu-me sempre que esse tipo de gente bondosa é gente de uma maldade extraordinária
em potência. Detesto-os, penso muitas vezes como Zelda e vejo-os como uns filhos-da-puta”. (
Blog Silêncio)  

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24 Junho 2005

Enrique Vila-Matas

“A Cosac&Naify está se preparando para lançar no dia 04 de julho o livro “O Mal de Montano”, de Enrique Vila-Matas. Segue resenha do site da Livraria Cultura: “‘O mal de Montano’ celebra a riqueza e a força da literatura. Numa cruzada irônica, Vila-Matas convoca mais uma vez seus autores-ícone, alguns já presentes em ‘Bartleby e companhia’, como Robert Walser, Franz Kafka e Fernando Pessoa. Porém se naquele romance os autores preferiam não escrever mais, o que os reúne em ‘O mal de Montano’ é a obsessão pela literatura e pelo literário, o desejo de ser a “memória da literatura” encarnada. O “mal de Montano” deixa de ser uma enfermidade para tornar-se um antídoto eficaz contra a morte da literatura, uma arma contra os inimigos do literário.” Já desisti de colocar tudo que quero na minha wishlist. Meu poder de compras é inversamente proporcional ao número de livros que quero”. (Blog Odisséia 2005)    

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28.07.2005

Vila-Matas 

“Depois de ler o Mal de Montano ficou com imensa inveja. Ainda não tinha lido o suficiente para padecer de tão ilustre maleita”. (Blog Avatares de um desejo

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19.01.2005

O autor, o autor

“Gostei tanto de ler o André Belo (barnabe.weblog.com.pt) sobre o David Lodge. Gostei e invejei-o – tropeçar inesperadamente em Lodge e ouvi-lo falar sobre o seu último livro era uma coisa que eu gostava que me acontecesse (mesmo que tivesse que ser em Paris). Gostei tanto de ler o André porque até há um mês atrás só conhecia o David Lodge de ouvir falar. E, ultimamente, a seguir a um livro do Lodge só consigo pensar no livro seguinte do Lodge. Enfim, um espécie de um qualquer “estado de graça”. Antes de ler o “post” do André, vinha com a ideia de fazer um post por causa de “O Museu Britânico Ainda vem Abaixo”, que é de 1965. O  Mal de Montano” afinal já aqui está: o pobre Adam Appleby, o estudante católico atormentado com a contracepção, sofre alucinações (chega a encontrar Mrs. Dalloway) a que o seu amigo Camel chama “uma forma especial de neurose erudita”, porque “já nem é capaz de distinguir entre vida e literatura”. Adam Aplleby protesta. Qual neurose erudita: “A literatura é quase tudo sobre sexo e nada sobre ter filhos. A vida é o contrário”. That’s a very interesting point.  (Já agora, André, venha lá a recensão…)”. (Blog Glória Fácil )  

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Havia também o “Mal de Montano” em outros blogs com nomes para lá de divertidos:  “Viver todos os dias cansa”, “O talento da mediocridade”,  “Mulher Capacete”, “Errância”, “Escrita Solta”, “O navio de espelhos”, “Desfazedor de Rebanhos”, “O gato na paisagem”… 

Abrir a caixa hoje me trouxe a sensação que o “mal” é muito maior do que se imagina. Se isso é bom? Vila-Matas responde: “Sempre gostei dos jovens seriamente perigosos para a sociedade bem-pensante, os que acham o mundo estúpido e durante um tempo querem abandoná-lo depressa. Eu fui um deles e meu filho soube sê-lo”. (p. 22, O Mal da Montano, Enrique Vila-Matas).

E, você, quem é você?

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5 Comentários »

  1. Observação: os trechos foram copiados dos blogs exatamente como lá estavam escritos! bjs da Pandora!

    Comentário por maldemontano — outubro 3, 2006 @ 1:54 am | Responder

  2. Já desconfiava, mas só agora tive a certeza que o mundo está cheio de doentes como nós. Temos que juntar todo mundo!

    Comentário por selena — outubro 3, 2006 @ 11:55 am | Responder

  3. Já nem me lembrava que tinha escrito isso!
    Parabéns pelo blog.

    Comentário por George Cassiel — outubro 3, 2006 @ 1:32 pm | Responder

  4. Pandora:

    Interessante a idéia de checar no Google os blogs infeccionados pelo Mal de Montano. Legal!

    Agora.. você já experimentou por seu nome? Deve ter milhões de suas mitológicas caixas por aí.

    Abraços doentes.

    Olimpia

    Comentário por olimpia calmon — outubro 5, 2006 @ 12:21 pm | Responder

  5. obrigada gente!!! abraços montanos de Pandora!!!

    Comentário por maldemontano — outubro 5, 2006 @ 2:48 pm | Responder


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