Mal de Montano

setembro 21, 2006

Escolhendo o título…

Filed under: Debatendo,Sobre Títulos... — maldemontano @ 2:43 am

 Por Selena Carvalho

Com os textos impressos, já ortograficamente corrigidos, chego ao Ateliê de Literatura um pouco antes da aula: – Só falta agora pensar em um título e na seqüência. Vamos fazer isso enquanto os outros não chegam? Olhar atônito do professor. – Só isso?- Aí me dei conta da dificuldade. É claro, já devia estar pensando nisso há mais tempo. Para alguns, o título, inclusive, vem primeiro que o resto do livro. No meu caso, não. Nem antes, nem depois. Tinha a idéia de colocar o nome de um dos contos com “E outros contos”. – Mas não fica meio Tchekhov, “A Dama do Cachorrinho e outros contos”, “O Beijo e outros contos”? – perguntou ele. E se colocarmos então: Espírito bom, Espírito mau e outras histórias? – Continua Tchekhov: “O Assassinato e outras histórias”. E além do mais, esse título com a palavra “Espírito” pode levar a interpretações errôneas. Já pensou estar na prateleira de “Religiões” ou pior ainda, em “Auto-Ajuda”? Tem também o problema que, quando você escolhe um conto para título, chama muita atenção para ele, tem que ser perfeito. – Ai, Meu Deus, tem algum perfeito?  Fui descartando um a um. – Pode-se pegar também uma frase de um dos textos.- Que tal: “Só por causa de um bigode?” ou então: “Não disse nada, mas na hora pensei que aquilo não tinha a menor possibilidade de dar certo”? – Não, frases assim, só o Marçal. – O livro tem uma coerência, temos que pensar em um título que a reflita ou que seja o seu oposto. – Tem mesmo uma coerência, mas só de estilo, não temática. Complicou! Pegamos o dicionário. Nenhuma luz. Qual o oposto de “Cotidiano”? – “Raro”? – “Contos Raros”, mais pretensioso impossível. – Cheguei a pensar em “Primeiros Contos”- “Primeiras estórias”, Guimarães, ele replicou – E apenas “Contos”? – Mas essa é a classificação, não tem cabimento.- O tempo passando, a angústia tomando conta. – Vamos definir a seqüência, enquanto pensamos?- Começar com os muito bons; o miolo, com os apenas bons, e depois voltar a crescer, com os ótimos. Difícil. Acho-os todos muito bons, senão não estaria colocando
em livro. Posta a questão nestes termos, no entanto, começo a achá-los apenas bons, alguns nem tão bons assim. Quero pô-los todos no miolo. Crise total. Algumas discussões, essa parte classificatória ficou por conta do professor, exímio conhecedor da minha escrita. Gostei do resultado. Percebi que os primeiros e os últimos são os que realmente gosto mais. Se são os melhores, só o leitor. Tempo da aula se esgotando, chegamos a uma conclusão sobre o título. – Se tiver alguma outra idéia maravilhosa na madrugada, te ligo.- Amanhã passo para diagramadora. Depois, para vocês.

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