Exercício pétreo
Errado, começarei
a cegar-te.
Tanto peso macula,
joga num poço
- sem margem –
o olho que cai.
Agora, no teu ventre,
a veia levianamente
percorre e,
dos grandes lábios,
- juncos soltos –
escorre prata.
Exercício pétreo
Errado, começarei
a cegar-te.
Tanto peso macula,
joga num poço
- sem margem –
o olho que cai.
Agora, no teu ventre,
a veia levianamente
percorre e,
dos grandes lábios,
- juncos soltos –
escorre prata.
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Curioso, André, li seus versos no mesmo primeiro dia em que vi
“La bufera infernal, che mai non resta,
mena li spirti com la sua rapina;
voltando e percotendo li molesta.”
(A procela infernal que nunca assenta,
essas almas arrasta em sua rapina,
volteando e percutindo as atormenta)
(tradução ítalo e. mauro)
Reli os seus bem-escritos… talvez fosse prudente você já ir elaborando uma boa alegoria por trás dos versos, não? … afinal, segundo o florentino, o segundo círculo da Dite (almas dos luxuriosos) pode ser o divino fado de qualquer um.
Não parece ser pena ingrata para as almas-machas: belíssimas lá habitam, molhadas até o mais íntimo lençol: Semíramis, Cleópatra, Dido, Francesca e, naturalmente, Helena.
BJ,
Olimpia
Comentário por olimpia calmon — Outubro 6, 2006 @ 11:43 am |