Mal de Montano

setembro 21, 2006

Títulos? Qual título? De crédito?

Arquivado em: Debatendo,Sobre Títulos... — maldemontano @ 2:22 pm

por  Solange Pereira Pinto

Eis que surge nosso primeiro tema: falar sobre os títulos. Cá estamos, as “Montanas”, a opinar. O que significa o título para mim?  Em um primeiro momento, quando se fala a palavra “título” eu logo penso em eleição. Ainda mais porque estamos numa época próxima, presidencial, aí me lembro do título eleitoral.  

Título também me remete à “titulação” acadêmica. A velha pergunta que se faz a uns e outros: “quais são os seus títulos?”. Graduada? Especialista? Mestre? Doutora? Argth! Coisinha chata essa!  No entanto, como a vida está difícil demais (pelos menos para mim), a conta bancária no vermelho, vem à mente o “título de capitalização”. Aquele que o banco empurra, a gente às vezes compra, não é sorteado, paga por muito tempo, e um dia ele surge na conta dando certo “falso” alívio. Ufa! Cadê o meu numa hora dessas? 

Recordo também dos “títulos da dívida ativa” ou da “dívida pública”. Aqueles que se originam de empréstimos que o país faz, para depois reembolsar os credores. Hum… Esses dão, em geral, dores de cabeça para muitos e vantagens para poucos. Temos ainda os chamados títulos de crédito… Título hipotecário… Chega! São muitos os títulos. Nem todos muito bons…

Mas e daí? O que essa enrolação introdutória tem a ver com títulos literários? Tentarei explicar. O Houaiss diz que título é “nome ou expressão que se coloca no começo de um livro, em seus capítulos, em publicação jornalística, peça teatral, filme, composição musical, programa de televisão etc. para indicar o assunto tratado ou simplesmente para identificar, distinguir, individualizar a obra ou o trabalho em questão”. Um rótulo. Um nome. Uma qualificação… 

Eu confesso. O título me chama sim. Em qualquer situação. Ele está lá berrando: “olhe para mim”. Garrafal. Se o título do filme for, por exemplo, “O matador xyz”, eu corro léguas do cinema. Se vier numa capa uma palavra como “tratados da abcde”, nem pego para tomar conhecimento. É que alguns títulos são tão burocráticos que me lembram todos os parágrafos acima, e desses não preciso. Juro! Bastam-me os obrigatórios títulos da vida. 

Como boa doente das letras, e compulsiva por livros, vou às estantes e fico namorando títulos. É como olhar nos olhos do outro para ser fisgado. Mirar para ver se ali tem alma. Os títulos são, em minha opinião, as janelas ou portas que me levarão às páginas.   Assim como toda aparência, e o título (juntamente com a capa) faz a “embalagem”, pode enganar. Sabe aquele rapaz alto, moreno, sarado, olhos profundos, sorriso lindo que quando abre a boca você quer chorar (de raiva!)? Pois é. Com títulos também acontece isso. São títulos de olhos azuis que escondem futilidades. São títulos sarados que escondem falta de um bom-humor. São títulos de sorrisos perfeitos que escondem linhas tortas. São títulos bem-penteados que escondem histórias desarranjadas. Realmente a gente pode se iludir com um “bom título”.  

Aliás, o que é um bom título? Eta pergunta subjetiva! Cada pessoa tem o seu jeito de escolher, seus critérios, seu encantamento. Um título bom para um, pode não ser atraente para outro. Como tudo. Por isso, não entrarei no mérito se minha eleição de títulos é permanente ou acertada. É boa ou ruim. São títulos de fases. São títulos de momentos. São alguns títulos de eternidade. Tem título que me conquistou e hoje passaria longe. Já outros são, para mim, encantadores sempre. Gosto de títulos curiosos. Gosto também de títulos enigmáticos. E, já peguei muito título piegas totalmente apaixonada.  

Vamos lá. Listarei finalmente alguns títulos que pularam no meu colo (simplesmente pelo título), que acariciei, que levei para cama, que chorei, que ri, que levei para o engarrafamento, para a sala de espera do dentista, que carreguei na bolsa por semanas, que tive vontade de jogar pela janela… As obras são boas? Não responderei, afinal este texto é sobre TÍTULOS, que isso fique bem claro. Mas, sem dúvida alguns me deram crédito… 

“Regue as flores e me espere” (Lídia Ravera); “Um copo de cólera” (Raduan Nassar); “É preciso duvidar de tudo” (Soren Kierkegaard); “Para além do falo”(Teresa Brennan); “Mentiras essenciais, verdades simples” (Daniel Goleman); “Ame e dê vexame” (Roberto Freire); “Famílias terrivelmente felizes” (Marçal Aquino); “Perdas necessárias” (Judith Viorst); “Mulheres que amam demais” (Robin Norwood); “Torre de babel” (Roberto da Matta); “Os piores textos de Washington Olivetto” (Washington Olivetto); “Ensaio sobre a cegueira” (José Saramago); “Arquitetura do arco-íris” (Cíntia Moscovich); “O imbecil coletivo” (Olavo de Carvalho); “O direito à preguiça” (Paul Lafargue); “Crepúsculo dos ídolos” (Nietzsche); “Escuta, Zé Ninguém!” (Wilhelm Reich); “A noite dos vagalumes feéricos” (Maria do Carmos Lobato); “Os fantoches de Deus” (Morris West); “Com licença, eu vou à luta” (Eliane Maciel). Por fim, “Se for preciso grite” (o livro que ainda não escrevi).

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